Setembro Amarelo nas Empresas:
Como Promover Escuta Ativa e Apoio Psicológico nas Equipes
Saúde Mental nas Empresas: Como Construir uma Cultura de Escuta Ativa e Apoio Psicológico Contínuo
O aumento de 30% nos diagnósticos de transtornos mentais no trabalho nos últimos cinco anos transformou a saúde mental corporativa em pauta estratégica.
Hoje, o esgotamento profissional e a ansiedade geram prejuízos anuais de mais de 1 trilhão de dólares à economia global devido à perda de produtividade.
Para debater caminhos práticos, a SuaTV realizou o webinar “Setembro Amarelo nas Empresas: Como Promover Escuta Ativa e Apoio Psicológico nas Equipes”.
O painel contou com Marcela Carvalheiro (Analista de Marketing na SuaTV, especialista em neurocomunicação), Helen Salvador (Psicóloga Clínica e ex-RH da SuaTV) e mediação de Bruna (Analista de Marketing na SuaTV).
Reunimos abaixo os principais aprendizados do encontro para orientar líderes de Comunicação Interna e RH a estruturar ações contínuas que vão além do Setembro Amarelo.
Sumário
- A saúde mental nas empresas tornou-se uma urgência regulatória e estratégica;
- O desalinhamento generacional exige estratégias customizadas de conscientização;
- A liderança é o principal fator de proteção (ou de risco) para a saúde mental;
- Escuta ativa na comunicação interna exige intencionalidade e silêncio estratégico;
- Rituais de acompanhamento e termômetros contínuos previnem o isolamento.
1. A saúde mental nas empresas tornou-se uma urgência regulatória e estratégica
O adoecimento mental não pode ser visto como uma questão estritamente individual.
Com as atualizações da NR-1 voltadas aos riscos psicossociais, avaliar o ambiente corporativo virou uma exigência regulatória.
Quase 90% das companhias brasileiras já registram afastamentos por transtornos psicológicos, sinalizando a urgência de agir preventivamente.
Como destacou Helen Salvador no painel:
“Esses números não são apenas estatísticas, eles revelam uma realidade alarmante: o processo de adoecimento mental do trabalho está se tornando algo cada vez maior, só que de forma silenciosa.”
Na prática, cuidar da saúde mental reduz diretamente absenteísmo, turnover e perdas financeiras na operação.
2. O desalinhamento generacional exige estratégias customizadas de conscientização
Diferentes gerações reagem de formas distintas ao apoio psicológico.
Enquanto 40% da Geração Z relata estresse constante e busca terapia naturalmente, a geração Baby Boomer ainda apresenta resistência ao tema.
Marcela Carvalheiro ressaltou a importância da inteligência de público na comunicação interna:
“Enquanto a Geração Z demonstra grande abertura e necessidade de suporte psicológico, os Baby Boomers tendem a não buscar ajuda. Isso mostra que estratégias de saúde mental nas empresas precisam ser adaptadas por geração.”
Para engajar todos os perfis, a comunicação interna deve diversificar seus formatos:
- Workshops educativos: foco em desmistificar o suporte psicológico para gestores seniores.
- Benefícios acessíveis: oferta de telemedicina e aplicativos de saúde mental.
- Canais visuais e diretos: uso de TV corporativa para reforço diário das mensagens.
3. A liderança é o principal fator de proteção para a saúde mental
Lideranças tóxicas e cobranças excessivas figuram entre os principais gatilhos para o esgotamento das equipes.
No entanto, os próprios gestores também sofrem com a pressão por resultados e precisam de suporte.
Helen Salvador chamou a atenção para o acolhimento do ecossistema de gestão:
“Existe sim essa pressão de ter que ser forte o tempo todo, mas isso pode acabar silenciando os sofrimentos da liderança. Cuidar de quem cuida também é parte do processo de um ambiente saudável.”
Investir na capacitação de líderes inclui ensinar a identificar sinais de sobrecarga, praticar empatia e oferecer acompanhamento psicológico também para a gestão.
4. Escuta ativa na comunicação interna exige intencionalidade e silêncio estratégico
A escuta ativa pressupõe ouvir sem interrupções ou julgamentos.
Em ambientes remotos ou presenciais, pequenas atitudes abrem espaço para diálogos profundos sobre o bem-estar da equipe.
Helen Salvador destacou o papel do silêncio no acolhimento:
“Praticar a escuta ativa é ouvir atentamente o que o outro está dizendo, sem julgamentos. Às vezes é preciso aplicar o silêncio estratégico: dizer ‘quando você quiser e se sentir preparado, eu estarei aqui para ouvir’.”
Na prática corporativa, isso significa realizar perguntas abertas sobre como a pessoa se sente antes de focar em prazos, além de demonstrar atenção plena.
5. Rituais de acompanhamento e termômetros contínuos previnem o isolamento
A prevenção efetiva ao burnout exige constância ao longo do ano todo.
Rituais estruturados de One-on-One entre líderes, RH e colaboradores garantem um canal permanente de apoio.
Marcela Carvalheiro compartilhou como esses rituais ocorrem na SuaTV:
“Nós temos formatos diferentes de One-on-One: reuniões entre gestor e colaborador, encontros mensais do RH com gestores e alinhamentos semestrais do RH diretamente com o colaborador para ouvir e apoiar.”
Para acompanhar a evolução do clima, vale combinar múltiplos instrumentos:
- eNPS interno e pesquisas de RH: diagnósticos periódicos sobre satisfação e suporte.
- Reconhecimento contínuo: valorização de tempo de casa e aniversariantes em telas de TV corporativa.
- Ações práticas de endomarketing: rodas de conversa, murais da gratidão e desafios de bem-estar.
Assista ao Webinar Completo
Quer aprofundar essas discussões e conferir todas as ideias práticas compartilhadas no evento?
Assista ao webinar completo:
Conclusão
Cuidar da saúde mental nas empresas exige ir além das campanhas pontuais de setembro.
Quando a comunicação interna e o RH capacitam líderes e mantêm rituais contínuos de escuta, o bem-estar passa a sustentar a performance e a cultura da organização.
O próximo passo é avaliar se os canais da sua empresa oferecem um espaço real de escuta ativa.